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Casa Cor?
Clima de blecaute na Casa Cor que tinha tudo para ser a mais festiva de todas. Aniversário de 20 anos, arquitetos pop star de volta a casa, clima intimista com 63 ambientes no espaço antigamente ocupado pelo ambulatório do Jockey Club de SP – local escolhido para a edição comemorativa do evento. Cor que é bom, nada. A casa deste ano é escura: preto, tabaco, cinza... O contraponto fica por conta do branco e de variações mais claras do marrom. “Isto aqui está muito chique”, foi a frase mais ouvida em trocas de impressões entre convidados e arquitetos presentes na abertura do evento. Chique, ok. Mas um pouco entediante.
O visitante distraído corre o risco de fazer confusão entre os ambientes. De achar que está passeando por uma casa criada por um único profissional. O espaço reduzido, quando comparado ao da edição anterior, colabora para a sensação. O que não é de todo mal. O fato de a casa estar menor torna o programa menos cansativo. Também fica mais fácil identificar tendências, prestar atenção às sacadas decorativas e curtir o programa – afinal de contas, a decoração também tem seu lado divertido. O clima de casa de gente de verdade é reforçado em ambientes com travesseiros “desarrumados” e roupas “espalhadas” pelos cantos. A trilha sonora também induz ao clima “lá em casa”. No living de Roberto Migotto dava para ouvir ao fundo o refrão: “home sweet home...”
Se em edições anteriores o grande passatempo das “visitas” era contar TVs de plasma e similares que pipocavam nos ambientes, este ano a história começa a mudar. As TVs de alta tecnologia aparecem, só que mais discretas. Estão menores, mais escondidas enfim. Elas já não são novidade e começam a virar sonho de consumo possível para o público da mostra – a graça da overexposição se dava quando isso era novidade inatingível, certo? Mas as invencionices tecnológicas continuam em pauta. E pode-se conferir o protótipo de um chuveiro associado a luzes cromoterápicas; assento sanitário com amortecedor; lavanderia com varal elétrico e display giratório de produtos de limpeza; estufa elétrica na cozinha, para que as ervas cresçam sem o bom e velho solzinho da janela...
A madeira é hit da mostra em versões ecológicas – quanto mais rústica, melhor. Revestimentos de pedra, que já apareceram no ano passado, voltam nesta edição. E também papel e tecido nas paredes em versões clássicas, com risco mínimo. Ousadia mesmo só no espaço de João Armentano, que “cabulou” a Casa Cor 2005 para retornar nesta com sua casa futurista, uma brincadeira na qual dá vontade de embarcar. O espaço de 80 m² engloba cozinha, banheiro, sala e quarto. E pode ser reduzido para uma caixa de 6 m³ num divertido jogo de encaixes. A idéia é a de uma casa que possa ser carregada na direção dos sonhos do morador. Idéia simpática. Principalmente depois de passar por espaços que repetem a fórmula dos móveis arrumados como sempre e da escassez de arroubos numa mostra que tinha motivo de sobra para estar mais abusada do que nunca.
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Chris Campos |
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