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O que a gente leva pra casa...

Fazia tempo que não me dava ao luxo de flanar sem destino certo num dia de semana. É engraçado porque a gente não se culpa por ocupar um fim-de-semana ou um feriado com trabalho e leituras obrigatórias, mas se culpa por fazer hora extra na cama numa quinta-feira de chuva, como hoje. Pois foi o que fiz neste 13 de março: hora extra na cama e uma tarde inteira dedicada aos pequenos prazeres, mesmo debaixo de chuva. Visitei pessoas que eu gosto, fui à lojas que eu gosto, andei, andei até cansar e quase morrer de frio por conta da chuva e também de um modelo errado em dia de chuva. No caminho, cansada e carregando coisas novas na cabeça e nos braços, pensei no que a gente leva para a nossa casa.

Hoje trouxe sensações boas, pensamentos novos (por conta do ócio, que sempre ajuda a pensar) e mimos para dividir com quem aparece de visita por aqui. Trouxe também o frescor de um dia diferente. E a falta de culpa. E a vontade de ter mais dias como este que está quase acabando, cinza como começou. Mas com um frescor que só muita chuva pode propiciar. Por isso trouxe ainda a alma lavada, a sensação de que um dia diferente é necessário às vezes, deveria ser obrigatório sempre – especialmente em fases em que parecemos aprisionadas a um esquema que não muda nunca. Ir e vir do mesmo jeito. Sentir as mesmas faltas e as mesmas vontades. Sair do esquema é bom, portanto. E não vou ter culpa nunca mais.

Amanhã deve voltar tudo ao esquema normal. Horário certo para acordar, trabalhar, comer e dormir. Mas ainda estarei com as lembranças de hoje fresquinhas. Com as novidades boas que ouvi de uma amiga querida e com os pensamentos sobre como será o amanhã por conta de um simples presente encomendado para alegrar um dia lá na frente. Pode ser que eu sinta um tiquinho de culpa por ter deixado de fazer outras coisas que deveria ter feito. Mas que podem ser feitas amanhã, ou depois. Nada é tão rígido, afinal, que não possa ser manipulado no meio do caminho. Outro aprendizado do dia: manobras fora do script fazem você conhecer sentimentos, palavras e ações que não sonharia vivenciar se deixasse tudo igual a todo dia.

Então, amigas, que vocês experimentem suas próprias maneiras de ser punks num dia comum. Seja esticando a hora do almoço para um programa fora do programa. Seja dormindo mais um pouquinho. Seja telefonando, visitando ou dando um beijo fora de hora em quem você gosta. É um caminho para levar novidades para a sua casa, que, no fundo, é toda sensações. As nossas sensações.

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Chris Campos


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