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Quando a sua casa vira cena de tevê

O improvável sempre pode acontecer. Foi assim que vi minha casa se transformar no palco de um “extreme makeover reconstrução total” num desses sábados passados. Sim, exatamente aquele programa, que representa o ápice do momento “Changing Rooms” na programação televisiva. Reconstrução total, a palavra, coube com uma luva num dia que era para ser de stress introspectivo, eu comigo mesma, pintando, lixando e outras atividades braçais do gênero. Mas virou uma festa, que começou com um pedido de ajuda aceito. “Quer que eu dê uma mãozinha?”, pergunta o pai à filha meio perdida no próprio espaço, e precisando mais do que nunca de auxílio masculino para atividades, digamos, muito chatas de se fazer. Lidar com fios e conexões, para ser mais precisa.

E o sábado que começou, de fato, introspectivo, virou cenário de reformas. Num quarto, paredes sendo pintadas. Na sala, mãe costurando almofadas (clichê máximo do programa) com sua máquina de costura sobre a mesa da sala de jantar. Pai e irmão se digladiando para encontrar a melhor altura, o melhor ângulo para duas luminárias de parede que eu jamais saberia pendurar por conta própria. Minutos de caos, cânticos zen emanando do fundo da alma e o perigo iminente de uma hecatombe familiar. Mais de um parente com sangue italiano nas veias pode dar em festa ou em briga. Mais cântigos zen entre uma pincelada e outra no quarto ao lado. E gritos, reclamações, vozes exaltadas partindo da sala – cenário máximo desta, a essa altura, farofa da transformação. Por alguns momentos acho que não vou aguentar tamanha euforia familiar. Na hora da pizza, à luz de velas por conta de uma lâmpada queimada na cozinha, níveis abissais de balbúrdia. Todos, todos mesmo, falando ao mesmo tempo. E a certeza de que tudo aquilo não ia dar certo.

Mas como a paciência é uma dávida (e os cânticos zen sempre surtem efeito positivo) duas horas mais tarde as coisas rumavam para o sucesso. Luminárias acesas nas paredes da sala, pintura finalizada no quarto e metros de tecido transformados em almofadas depois, uma certa calmaria rondava os ambientes do lar. Mas é sempre preciso um pouco de emoção. E, como o trabalho braçal estava quase concluído, arrumamos outra atividade interativa para resgatar os melhores momentos de qualquer família reunida. Alguém então resolve puxar um assunto polêmico. Mulheres num quarto, homens no outro. Mãos cheias de tinta, dignidade beirando o zero, moças histéricas para saber o final do assunto. E os minutos seguintes, epílogo do sábado que só foi terminar quase no domingo, finalmente dedicados a um momento vamos tomar café civilizadamente? Mais conversa, menos polêmica e finalmente a conclusão histórica: por mais assustador que possa parecer, certos resgates familiares sempre valem a pena.
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Chris Campos


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Manter a calma é a pedida para viver a transformação