
Quero um tanque de roupas pra lavar!
As pessoas estão todas loucas! Eu, inclusive. Não sei o que anda acontecendo no mundo, mas certamente é alguma coisa muito errada. Sim, porque não é normal você ligar para dez amigos num mesmo dia e TODOS estarem muito ocupados com seus próprios trabalhos, a ponto de não poderem completar a frase mais simples do mundo: Como vai? Tudo bom. Ou então o inverso. Dez amigos ligam para o seu celular e é você quem não consegue completar a frase. Socorro! Por isso o título desta coluna: quero um tanque de roupas pra lavar! Metáfora máxima de um momento de descontrole trabalhador. É claro que eu não quero um tanque de roupas pra lavar. Mas a frase saltou da minha boca num momento de casaço extremo. Depois de ouvir de uma mulher que estava ao meu lado no cafezinho que, se ela pudesse, largaria tudo sem a menor culpa (não largaria, aposto, mas ela disse porque devia estar a beira de um ataque de nervos, como eu). Momentos depois de avistar uma foto da Sarah Jéssica Parker varrendo a calçada de casa. E depois de ir ao salão de beleza para uma manutenção básica de auto-estima (pintar as unhas é uma atitude que ajuda muito em momentos de pânico por excesso de trabalho) e lembrar que as mulheres da minha família SEMPRE tinham tempo para a manicure da semana – sem precisar anotar na agenda.
Tudo isso me fez pensar: será que estamos todas fazendo coisas além do que podemos agüentar? Pense comigo, trabalhar muito é possível sim. Às vezes acontece e você segura o tranco. Fazer o quê? Mas quando a medida ultrapassa a linha do emocional ou socialmente aceitável fica difícil. É complexo abdicar de tudo o que é bom por uma coisa boa, mas feita em excesso – nesse caso, o trabalho. Por mais que a gente ame o que faz não dá para fazer demais. É assim com tudo na vida. Quer dizer... algumas coisas nunca são demais. Mimar os amigos nunca é demais. Namorar nunca é demais. Vivenciar pequenos prazeres do cotidiano nunca é demais.
Se você, como eu e metade da humanidade, também está passando da conta do aceitável no que diz respeito ao trabalho, pare e reflita. Há quanto tempo você não prepara um jantar gostoso em casa? Não por obrigação, mas por prazer mesmo. Para testar uma receita nova, inventar uma desculpa para abrir uma garrafa de vinho e ficar de bobeira com quem você ama? Faz quanto tempo que você não olha para os próprios domínios só para descobrir se ainda gosta da cor das paredes ou do estilo dos móveis? E qual foi a última vez que você abriu a sua casa para uma festividade sem motivo? Só para reunir os amigos e dar risada, conversar assuntos que nada têm a ver com... trabalho?
Se faz tempo que você não faz tudo isso, então também está louca, como eu. Está na hora de parar um pouco, meu bem. Ver até que ponto os excessos valem a pena. E buscar o caminho do meio, sempre a melhor pedida – para tudo nesta vida.
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Chris Campos
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