
Quem disse que é preciso fazer sempre tudo igual?
Semana passada passei por uma prova de fogo: empolgar uma platéia de 60 mulheres com algum tema sobre o universo da casa. Escolhi um bem simpático: terapia da casa. Falei sobre coisas boas para se fazer nos próprios domínios, mencionei o quanto é importante olhar para o lar-doce-lar com outros olhos, disse o quanto achava divertido brincar de casinha na própria casa. Mas o que empolgou mesmo a platéia foi o trecho de um filme que eu havia selecionado para exibir durante a apresentação.
“Simplesmente Martha” é uma produção alemã que estreou por aqui durante uma mostra de cinema (não me lembro bem qual), passou rapidamente pelas salas de exibição e foi logo para as locadoras. Fiquei tentada a assistir ao filme pela descrição da embalagem, que falava sobre uma chef de cozinha um pouco obcecada com seu trabalho e que, de repente, vê sua vida virar de cabeça para baixo por conta de uma garotinha e de um chef italiano e estabanado pelo qual ela, óbvio, se apaixona. O filme tem partes engraçadas, algumas cenas tristes, mas o melhor trecho fica por conta de um jantarzinho organizado pelo tal italiano.
Em primeiro lugar, ele coloca a pobre e estressada Martha para fora da cozinha e inicia os trabalhos ao lado da garotinha, fofa. Não contente com isso, ele prepara diversas porções de pratos suculentos e as leva para a sala nas respectivas panelas – que vão direto para uma toalha estendida sobre o chão. A quase desesperada Martha, já em busca de pratos e talheres (e muitos guardanapos) não entende nada e o italiano explica: “Hoje não vamos jantar na mesa, vamos fazer piquenique na sala”. O resto é puro cinema: eles comem, dão comida na boca um dos outros, bebem vinho, dão risada. Assim com a platéia para a qual eu falava, que não conseguiu se conter ao conferir o final feliz daquela farofa urbana.
Elas gostaram e eu também. Por um simples motivo: enquanto a cena rolava, caía a ficha de que o dia-a-dia poderia ser muito mais divertido se usássemos um pouquinho a imaginação. É verdade que colocar a criatividade em prática nem sempre é fácil. Talvez você gaste uns minutinhos a mais do seu dia pensando em um prato diferente que está louca para comer, mas nunca tem tempo de comprar os ingredientes certos. Talvez tenha de anotar na agenda um dia da semana para simplesmente enlouquecer em casa: tomar café-da-manhã na varanda, jantar no quintal numa noite calorenta... Coisas bobas, mas que fazem toda a diferença do mundo no começo de um dia difícil ou ao final de um outro que está bom demais para terminar em clichê.
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Chris Campos
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