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Terapia do fogão e outras atitudes radicais que podem salvar o seu dia

Lembrei desse episódio porque ontem não conseguia me concentrar no que deveria fazer (no caso, esta coluna). E me flagrei em pleno surto culinário para tentar encontrar o foco novamente. Como o caso era grave, resolvi apelar. Trilha sonora festiva rolando e fui direto para um clássico de Dona Luiza: torta de berinjelas. Um prato “leve”, que consiste em uma pequena montanha de fatias do vegetal (cortadas bem fininhas), passadas na farinha e no ovo batidinho e depois fritas, uma a uma, em óleo bem quente. Feito isso, a cozinheira (ou cozinheiro) em questão deve montar camadas em uma travessa funda. Primeiro, molho de tomates, depois as berinjelas e, por último, queijo minas cortado fino. Segue-se essa sequência sucessivas vezes até preencher o recipiente. Aí é só salpicar queijo ralado por cima e levar ao forno para gratinar.

Passei uma hora inteira nessa função aparentemente nada relaxante. Tive de desgrudar a mistura de farinha das mãos, lavar tudo depois, borrifar Bom Ar na casa inteira (na ilusão de dispersar o cheiro de fritura) e depois conferir se todo esse trabalho valeria a pena. O queijo nem havia derretido direito e eu já tinha conseguido o que queria. Sessenta minutos de puro desfrute dos meus pensamentos e a certeza da eficácia da tal terapia do fogão que Andrea havia sugerido sem querer no nosso encontro. E se alguém me flagrasse em pleno surto doméstico? Nenhum problema. Também não acredito na lenda da mulher de bobes...
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Chris Campos


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Fazer festa na cozinha é tão bom quanto ir a uma festa