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Digito este post diretamente da mesinha em que escrevi meu nome pela primeira vez. Ainda era uma ilustre frequentadora do jardim da infância, onde brincar de massinha e tirar uma soneca na esteira de junco depois do lanche eram as principais atividades intelectuais em desenvolvimento. A mesinha de fórmica vermelha ficava na lavanderia da vovó. E sentada no banquinho, igualmente vermelho e com estofado fofo, eu ficava ajoelhada treinando uma letra aqui, outra ali. Até que um dia acertei. Nem me dei conta do feito, mas minha mãe achou o máximo. Minha avó devia estar muito atarefada na cozinha e, acredito, não deve ter reparado no acontecido. Mas eu reparava no que ela fazia. Dizem que o trabalho de quem "só" trabalha em casa não tem comparação ao stress de um escritório, redação ou outro estabelecimento profissional. Levando-se em conta a concentração da avó, sempre tive certeza de que trabalho é trabalho, seja lá onde ocorra a ação. Dona Lourdes era muito concentrada em seus afazeres. Como eu, você e qualquer outra amiga sua, também se perdia nos pensamentos quando estava entretida demais com alguma missão. Talvez por isso ela não tenha reparado na menina ali ao lado escrevendo na mesinha de fórmica vermelha. Mas, do alto de seus momentos de concentração, ela acabou me ensinando outras coisas igualmente enobrecedoras. Sem querer, me flagrei neste fim-de-semana carnavalesco preparando dois de seus clássicos culinários: nhoque e arroz doce, ambas as receitas descritas com um requinte de detalhes que só uma especialista no assunto poderia ditar.
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