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Em alguns momentos é preciso ser simplesmente feliz. Sou feliz na cidade, mas descobri que sou muito feliz em ambiente campestre. Deve ser falta de grama na infância passada no asfalto e na lajota do quintal. Tinha a areia da praia também, onde passei todas as férias da vida de criança. Gosto demais da praia. Mas é no campo que descubro um mundo de prazeres inéditos.
Observar as plantas do jardim, pegar uma fruta na árvore, dar risada com o andar sacolejante das galinhas, que sempre me parecem muito felizes ciscando, entrando e saindo do galinheiro, andando em fila com um monte de pintinhos atrás.
Cozinhar no campo é outra delícia. Neste fim de semana que passou, assei speka piradzini no forno à lenha. São uns pãezinhos originais da Letônia, recheados com bacon, cebola e uns verdinhos – tudo refogado na frigideira.
Mas a melhor parte desse programa foi conhecer a tia Zelma, uma senhora leta de 99 anos, mais lúcida que eu, e que me lembrou que uma das graças de estar feliz é dividir essa felicidade com os outros.
Ela, cozinheira oficial dos speka piradzini que conferiram sabor especial à infância do meu marido, gostou tanto da nossa visita que resolveu compartilhar mais dois momentos de felicidade. Depois de tocar um pouco de piano, nos levou ao jardim para buscar uma muda de antúrio, uma das muitas flores que cultiva por ali. Hoje plantei a minha metade antúrio e compartilho com vocês a minha felicidade. Simples assim.
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