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Uma semana inteira no campo. Vacas observadoras, galinhas da Angola tresloucadas à beira da piscina, flores de cacto e nuvens cor-de-rosa às oito da noite. Vi muita gente, comi mandioca frita e cozida, preparei um risoto que ficou cinza (às vezes acontece...), experimentei o melhor cuscuz da minha vida entre os últimos minutos de 2008 e os primeiros lampejos de 2009. Nadei (boiar num inflável em formato de caldo Maggi serve?), fiquei com calor de dia e com frio de noite. Dizem que a vida na Rifaina é muito simples. A cidade tem só um supermercado, chamado São Jorge; a vendinha de um japonês que, suspeito, usa peruca; a praça cheia de luzinhas e com fonte de água dançantes. Também tem uma pizzaria, de um tiozinho que só leva para o forno mussarela da boa, e costuma esconder umas latinhas de anchovas para os fregueses mais amigos. Ouso arriscar que de simples não há nada por lá. Quer maior rebuscamento do que encontrar todas as cores numa mesma paisagem? Ou poder reunir numa mesma mesa um monte de gente que aparece de surpresa para conversar no fim da tarde e só vai embora muito tarde da noite? Conversas ricas, pelo que pude conferir. Simples é viver no cinza do asfalto, com tudo facinho de alcançar e poucas cores para discernir ao redor. Complicado é trazer a riqueza da vida nada simples do interior para a nossa complexa história por aqui. Por via das dúvidas, trouxe um pote de doce comigo. Para não esquecer o gosto da riqueza que eu vi por lá.
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