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Hoje acordei e tomei um susto. O jardim tinha morrido, quase inteiro. Andava bem abandonado, é verdade. Há tempos não olhava para ele. Fiquei triste com o pé de orégano, esturricado pelo abandono. Arranquei os galhinhos retorcidos e pus num saco de lixo. Olhei para o lado e todo o resto estava seco também. Resgatei então a jardineira. Removendo um a um, todos os galhos e folhas sem vida. Não demorou para o começo triste virar quase uma festa. Começou a dar uma alegria jogar todo o velho fora. Esqueci que tinha pintado as unhas e enterrei logo as mãozinhas na terra, sem dó - depois é só pintar de novo, certo? O chão foi ficando cheio de folhas, galhos e montes de terra. Os pés ficaram imundos. O gato começou a se animar com a bagunça e resolvi bagunçar mais. Minha casa tem dois jardins. Ambos abandonados feito pracinha de subúrbio. Fui logo para o outro também. E uma trilha de terra, folhinhas, flores mortas e ervas daninhas foi se formando entre um jardim e outro. Fui limpando, limpando, recheando sacos de lixo, me livrando de vasos quebrados, tentando salvar quem ainda tinha chances. Muitos ainda tinham chances e fiquei animada, apesar do cenário devastado. Ao final da fúria da limpeza, além dos bravos sobreviventes ao meu abandono, sobraram vasos vazios, agora limpos e prontos para ganharem outras flores. Agora é só escolher direito o que vou colocar ali dentro, para combinar com o cenário agora renovado e com a promessa de nunca mais ser abandonado. Jardineira fiel, eu prometo.
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