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Outro dia ganhei uma malinha amarela e lembrei na hora da bolsa amarela que alegrou muitas das minhas ociosas tardes infantis. Inspirada na "Bolsa Amarela" de Lygia Bojunga Nunes, colocava minhas vontades lá dentro, feito a menina do livro - que, entre outros desejos, queria ser menino, porque achava mais simples ser menino do que menina. Quando a malinha amarela chegou por aqui, quis logo colocar todos os meu desejos dentro dela. Mas ela é pequena e pensei: não vai caber nem a metade. E se eu quiser um pouco menos? Mas o que se faz com o tudo? Quando era pequena, os desejos eram compatíveis com minha idade insignificante. Muitos anos se passaram e, agora, os desejos estão multiplicados; porque a gente não para de querer nunca, acho eu. Ou para? Sempre que achei que se parasse de querer, não tinha mais a menor graça. Então hoje, perto de mais um aniversário, tento condensar meus desejos na malinha amarela. Deixar somente os que valem muito a pena. Reservar um cantinho para o desejos que ainda nem sei que vou querer ter. E tirar da malinha um desejo realizado por dia, para não esquecer que a todo dia a gente sempre realiza alguma coisa. Assim, quem sabe, consigo guardar todos (ou quase todos) na minha malinha amarela. Só para lembrar que querer é bom.
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